A Viagem, conto genderqueer

Reproduzo trecho do artigo de Fabiula Bortolozzo falando sobre meu conto A Viagem:

Escrever sem usar gêneros e sem “take a walk on the wild side” da vida talvez seja uma das coisas mais difíceis que há, poucas escritoras (es) conseguem, ainda mais em narrativas curtas. Por isso, o conto A Viagem — de Diana Rocco — sempre me chamou muito a atenção. A personagem é uma garota — mas que parece não se identificar com nenhum gênero — que ao pegar um trem vazio acaba por adormecer e atravessar uma espécie de portal. Nesta outra dimensão, não existem gêneros definidos como os conhecemos aqui. O normal é a fluidez, é o quê e quem se deseja, é o amor que está por se fazer. E é aí que a garota descobre o que todos nós deveríamos ser, pessoas sexuais que não deveriam receber esta ou aquela classificação.
Um conto que acho que tem muitos horizontes a serem explorados, e que poderia, inclusive, tornar-se uma narrativa mais longa. Um conto com a cara do século XXII.

O artigo trata da questão Genderqueer e vale a pena ser lido na íntegra:

Genderqueer – Fabiula Bortolozzo

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Comemoração e presente

Alessia 2560x1600

O LESWORD VOLTOU ❤

SIM, o site lésbico mais amado do Brasil voltou, e voltou com tudo: design novo e lindo!, site mais leve, dinâmico, histórias novas e, claro, a continuação das histórias que estavam a meio caminho quando os problemas começaram.

Eu sempre soube que o dia que o LW voltasse seria uma enorme alegria. Sabia também que seria um fuzuê na internet, com todo mundo querendo matar as saudades. Ainda assim, crianças, vocês me surpreenderam, e muito! O Lesword voltou ao ar há exatas 6 horas, e o capítulo XXIX de Aléssia já foi lido mais de mil vezes!!!

Decidi comemorar essa enxurrada de leituras disponibilizando a capa de Aléssia como wallpaper. Escolha a resolução de sua área de trabalho, clique no link para abrir a imagem, depois clique com o botão direito e escolha salvar imagem como:

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Gratidão! Vocês sabem como fazer uma criança feliz  /|\

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Sobre a narrativa fragmentada de Wird

WordPressArtigoSobreWird

Reproduzo abaixo o lindo artigo que a escritora Fabiula Bortolozzo publicou hoje dando sua opinião sobre a estrutura narrativa de Wird, A Runa do Destino. O mais bacana de ler esse texto foi perceber que estou indo pelo caminho certo e minha história toca nos pontos que eu gostaria.

Vale ressaltar, Fabiula e leitor@s em geral, que as personagens ainda estão criando coragem para se mostrar completamente. Ainda há resistência, medo e insegurança. Amar é um ato de confiança, mas desnudar-se perante o outro é um ato incondicional de entrega.

FORA DO LUGAR-COMUM

(por Fabiula Bortolozzo)

O novo livro que Diana Rocco está escrevendo para o clube de literatura lésbica Wonderclub, merece algumas considerações devido à interessante técnica narrativa utilizada pela autora.

O primeiro impacto que o texto causa, ou deveria causar, numa leitora mais atenta, é a utilização de dois narradores, no caso duas narradoras, as personagens Lou e Gal. Antes de continuarmos, é necessário um adendo para que não se faça confusão, em todo e qualquer texto o personagem principal sempre será o narrador, seja o foco narrativo utilizado em primeira, segunda ou terceira pessoa, pois é ela (ou ele) o único a saber o final da história, além do autor.

Em Wird, o texto em questão, temos duas narradoras em primeira pessoa que nos apresentam dois pontos de vista diferentes sobre a mesma história. A estratégia utilizada pela autora parece resultar, pois nos permite mais interpretações do que a utilização de apenas um narrador. Quem é a dominadora e quem é a dominada no texto? Afinal, nós temos duas histórias correndo em paralelo, duas versões dos acontecimentos.
Diana Rocco se arrisca por um terreno perigoso, a utilização de duas narradoras, com muita competência e talento, pois em nenhum momento ela deixa que as versões se tornem contraditórias, apesar de serem diversas.

As narradoras-personagens nos colocam, sem nenhum pudor, diante de suas almas atormentadas, nos mostram suas cicatrizes de vida que parecem se abrir ao menor toque, nos conduzem como hostess ao que de mais doce há no ser humano, o amor, e ao que há de mais amargo, a crueldade do abuso psicológico.

O espaço do texto não é físico, e esse é um outro elemento da narrativa que a engrandece. Não há muito descrição de espaços físicos, o que parece interessar a autora é a mente e os sentimentos das personagens, é, sobretudo, dentro deste espaço abstrato que a narrativa se desenvolve. Assim como o tempo, que não é nem um pouco linear. Com digressões, somos levadas a uma história que já foi, que já aconteceu, que já teve um fim. E o fim, nem mesmo a autora sabe qual é, isso cabe as narradoras saber.
Como as runas que em seu sentido oracular podem nos fornecer distintas interpretações quanto ao futuro, Wird é um texto que devido a sua profundidade nos permite múltiplas interpretações. A autora, junto com suas duas narradoras, acertou o tom.

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Wird – A Runa do Destino

CapaQuadrada

obrigue-me, se for capaz!

A trama de Wird – A Runa do Destino oscila entre o erótico e o trágico. Lou e Gal vivenciaram, ainda na infância, diferentes níveis de violência doméstica. O reconhecimento de suas dores gera forte empatia entre elas, e essa empatia, por sua vez, cede lugar a desejos que antes não ousariam pensar. À medida que aprofundam a relação, as duas personagens mergulham em um jogo erótico que desenterrará dores há muito enterradas. O sexo pode ser usado como pira funerária para nossos traumas? Somos fortes quando ultrapassamos nossas dores, ou sucumbir a elas é o que nos engrandece?

Histórias de abusos infelizmente ainda são frequentes em nossos dias, e os relatos – quando chegam a acontecer – são menosprezados ou relativizados pela cultura patriarcal. Um dos aspectos mais dolorosos dessa violência, a que milhões de mulheres no mundo todo estão sujeitas diariamente é que, não raro, ela acontece dentro de casa, praticada por um familiar ou alguém muito próximo.

Lou e Gal raramente falam sobre suas dores. Como a maioria das vítimas, seguem o caminho do silêncio. Ambas criam mecanismos para contornar as dores que sentem, e o grau de sucesso com que conseguem sobreviver a esses traumas é diferente para cada uma delas. Sendo mais estável e vítima de uma violência que ela mesma define como “menor”, Gal possui o impulso de ajudar Lou a sair de seus abismos, mas tropeçará em suas próprias dores. Agora elas estão mais perto da queda definitiva do que da salvação.

Afinal, é possível seguir adiante com dores tão mostruosas escondidas num quarto escuro de nossa alma? Existem violências “menores” do que outras? O terror psicológico é tão importante quanto o abuso físico? Até onde as vivências da primeira infância influenciam a personalidade de um adulto?

A história de Lou e Gal é uma experiência investigativa dentro dessas questões. E não se espante, leitora, se no curso dessa narrativa você descobrir que todas nós somos, em maior ou menor grau, vítimas de violências semelhantes.

Ainda não assina o Wonderclub? 😮 Leia a prévia de Wird, A Runa do Destino (repare como a leitura na plataforma é agradável!) e depois veja o artigo que escrevi a respeito dessa maravilhosa (e baratérrima!) plataforma de literatura lésbica.

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Avalie seus autores prediletos

BlogAvaliacoesIlustracao

O mercado literário ganhou uma nova dimensão no terceiro milênio. As redes sociais e as plataformas de autopublicação aproximaram leitor e escritor, além de possibilitar a milhões de pessoas em todo o mundo realizar o sonho de publicar um livro. Isso é legal por um monte de coisas: aumento na oferta de conteúdo, democratização da publicação de livros, maior visibilidade para gêneros literários desvalorizados pelas editoras e maior interação entre leitores e escritores, entre outras.

No meu caso, além de ter encontrado na autopublicação a maneira perfeita para divulgar meu trabalho, a interação quase instântanea com os leitores oferece um termômetro  para avaliar minha atividade profissional. Sem contar que é extremamente prazeroso receber a notificação de comentário em um texto que você acabou de publicar. Ou descobrir que seu livro na loja virtual recebeu uma nova avaliação positiva de um leitor. Temos o estranho hábito de não medir esforços para criticar. No entanto, parece que bate preguiça quando o assunto é elogiar.

Claro que crítica também é importante. Mas se você só receber feedbacks negativos, como saber onde está acertando? Além disso, elogios transmitem apoio e segurança a autores que estão começando no ofício da escrita. E, o mais legal de tudo: comentários e avaliações ajudam outras pessoas a encontrarem seus autores favoritos. Afinal, se você gosta do que ele escreve, não é legal que outras pessoas possam desfrutar desse prazer também?

Quer mais motivo para avaliar positivamente a obra de seus autores favoritos? Então vamos lá: as editoras também prestam atenção no que você diz sobre um novo autor, e isso pode ter um impacto direto na carreira dele. Além, claro, de tornar os livros dele disponíveis em vários formatos e em grandes livrarias.

E aí, já leu TheoDora e Outras Mulheres ou Clarice Luz e Sombras e ainda não avaliou? Então clique nos links acima e deixe-nos conhecer sua opinião 🙂

 

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Uma revolução chamada Wonderclub

Logo

Muitos escritores são muito bem remunerados por essa tarefa. Então por que as escritoras lésbicas não são?

Quando me sondaram sobre a possibilidade de participar de uma plataforma exclusiva para publicação de literatura lésbica achei a ideia sensacional. O conceito de clube de assinatura vem se difundindo aqui e ali. Um clube de assinaturas para literatura lésbica? Uau, isso nos coloca na vanguarda do movimento literário, pensei. E pulei dentro.

A proposta do Wonderclub é muito simples: reunir em um só lugar escritoras e leitoras de literatura lésbica. O grande diferencial que a plataforma oferece é a atualização frequente de textos e a garantia de que nenhuma história ficará incompleta. As autoras, ao se filiarem ao Wonderclub, assumem o compromisso de não interromper a publicação, além de se comprometerem a atualizar cada uma de suas histórias ao menos uma vez por semana.

O conceito de clube de assinatura começou a se espalhar pelo Brasil no início de 2011 como uma forma de oferecer serviços diferenciados a um público seleto e exclusivo. A proposta das idealizadoras do Wonderclub é oferecer conteúdo de qualidade por um preço justo para suas leitoras, e uma remuneração adequada a suas autoras, num formato em que todo mundo ganha. Como elas enfatizam no blog do portal: “escrever é uma atividade que exige vocação, talento, paixão, obstinação, muita dedicação e muitos outros predicados. São horas, dias ou até mesmo meses que os escritores doam de suas vidas para que possamos rir, chorar, viver e sonhar com uma história que muitas vezes não podemos viver. Isso sem contar do sentimento que eles nos doam. Muitos escritores são muito bem remunerados por essa tarefa. Então por que as escritoras lésbicas não são?”

Já de partida disponibilizei TheoDora e Outras Mulheres na íntegra, além de iniciar as postagens de um romance exclusivo para a plataforma, Wird – A Runa do Destino. E isso é só o início: na sequência de Wird entrará Dona Veridiana, texto que escrevi há dez anos e que permanece inédito. E vale ressaltar que nem Wird nem Dona Veridiana serão publicados em livros ou eBooks. Você só poderá encontrá-los no Wonderclub 🙂

A tônica da plataforma é exatamente essa: uma grande oferta de conteúdos exclusivos, que não serão encontrados gratuitamente em nenhum lugar. O pequeno valor da assinatura mensal é muito menor do que se gastaria para adquirir o mesmo conteúdo em eBooks, por exemplo.

Existem outros clubes de assinatura voltados à Literatura, e as iniciativas estão trazendo ótimos resultados a todos os envolvidos. Meu desejo – que, tenho certeza, é o mesmo de toda a equipe do Wonderclub – é que o mesmo ocorra com a Literatura Lésbica, aumentando a visibilidade do gênero e dando-lhe um peso maior no mercado editorial brasileiro. Afinal, somos milhares de leitoras e escritoras e tudo o que queremos é ocupar um espaço que é nosso por direito. Creio que não estamos pedindo muito, estamos?

É por isso que o Wonderclub é pago, para remunerar nossas escritoras, para pagar as despesas do Wonderclub e para proporcionar momentos cada vez melhores para nossas leitoras por um valor quase simbólico!

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A nova capa de TheoDora e outras mulheres

nova capa de TheoDora e outras mulheres

::: Fotografia e arte: Fabi Mendonça :::

Seis meses após seu lançamento, TheoDora e outras mulheres ganha uma capa colorida. Assim como a capa anterior, a belíssima fotografia e a arte de edição são frutos do talento de Fabi Mendonça, jovem fotógrafa que tem o dom de dar cores e formas aos meus devaneios poéticos.


TheoDora e Outras Mulheres: emoção, fantasia e erotismo em oito histórias lésbicas diferentes de tudo o que você já leu. Um livro com oito avaliações máximas na Amazon.com.br. Clique aqui para comprar.

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A questão do gênero fluido em Clarice Luz e Sombras

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::: a modelo Erika Linder em ambos os papéis, masculino e feminino :::

Talvez

…apenas talvez, a evolução humana se dê no sentido de sólido para gasoso. Dentro dessa hipótese, viveríamos hoje o início da Idade da Água. Creio que isso explique muitas mudanças atuais. Explica, por exemplo, a visibilidade que sexualidades fluidas, personalidades fluidas, teorias fluidas começam a ter. Há um despertar da consciência de que as coisas não possuem um estado fixo, mas fluem de um a outro. Ou melhor: não estamos mais em um ponto fixo, como a montanha, mas fluímos pelos lugares, como o rio. Estamos deixando para trás a Idade da Pedra e suas verdades absolutas, suas formas rígidas.

Não é à toa que a fluidez tem lugar central em Clarice Luz e Sombras, conto que navega em incertezas e indefinições. As personagens perscrutam-se, pressentem-se mais do que se encontram e se conhecem. Clarice é, a um só tempo, menina e menino. Expressa-se de ambas as formas, permite que seus sentidos naveguem entre os opostos. Do mesmo modo, move-se entre luz e sombras, sol e névoas. A dificuldade em equalizar suas oscilações e as imposições sociais do mundo talvez explique esse tormento em que Clarice vive .

Questões sobre gênero brotaram com efervescência nos últimos anos em redes sociais, jornais, revistas, programas de tevê. O debate está vindo à tona e pessoas que vivenciam os mais diversos gêneros, e que expressam sua sexualidade das mais diversas formas, surgem das sombras. Se você está entre aqueles que só consegue pensar em termos de homem e mulher, está mais do que na hora de rever seus conceitos. Há todo um continuum de possibilidades entre os dois extremos – entre quaisquer extremos, aliás.

Nesta página você encontra um glossário simplificado que serve de porta de entrada para a Idade da Água e algumas de suas questões. Clicando aqui você conhecerá um interessante projeto de visibilidade, acolhimento e educação sobre gênero e sexualidade humana. Abaixo uma lista de sites onde você encontrará textos, discussões e referências para ampliar sua visão sobre o assunto:

Geledés – Questões de Gênero

Quereres – Núcleo de Pesquisa em Diferenças, Gênero e Sexualidade

Ser-tão – Núcleo de Estudos e Pesquisas em Gênero e Sexualidade

Pagu – Núcleo de Estudos de Gênero Pagu

Mandacaru – Núcleo de Pesquisa em Gênero, Saúde e Direitos Humanos

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Entrevista no Lesword

Em novembro de 2015 recebi convite para postar um conto no Lesword. Quando fiz a primeira postagem eu ainda não sabia, mas estava abrindo as portas de minha nova casa e conhecendo minha nova família. Em nenhum outro lugar meus textos foram tão bem recebidos. Em nenhum cantinho virtual me senti tão acolhida.

Foi no Lesword que meus livros – TheoDora e Outras Mulheres e Clarice Luz e Sombras – encontraram terreno fértil para nascer. Se hoje são sucesso de vendas, devo muito ao apoio de leitoras e moderadoras do site. Os comentários criaram vínculos, que viraram amizades. Os contos abriram espaço para uma coluna com dicas de eBooks gratuitos. O apoio da equipe do Lesword pavimentou a estrada para a publicação de minha primeira história longa, Aléssia. E tudo isso torna meus vínculos com essa casa mais fortes e intensos a cada dia. Algo digno de comemoração.

E foi para comemorar que fizemos essa entrevista em que falo um pouco sobre meu trabalho, minhas inspirações, minha forma de pensar. Fica aqui o convite para que assistam e me conheçam um pouco melhor:

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